Blog da Helô

Meu scrapbook, com fotos, músicas, filmes e tudo o que eu imaginar.

26 fevereiro 2011

“Essa é a mais engraçada!”

Graças à inspiração de um amigo meu, estou reformulando meu blog, e nada mais justo do que dedicar o primeiro post, da segunda fase do meu blog, à ele.

Nesse dia as coisas estavam meio tensas, não no sentido de estarmos nervosos ou brigando, mas no sentido de que nossas vidas estavam numa fase complicada. Fazia poucos meses que eu tinha voltado da França e estava ainda tentando me reencontrar por aqui, ainda revendo amigos, lugares, lembranças, sentimentos. Mas isso é assunto para outro post. Ele estava na fase mais complicada do início da vida adulta, o TCC.

Ambos estávamos com saudade um do outro, e loucos para conversar coisas que só nós entendemos. Naquela tarde era “preciso” se ver, largar tudo por algumas horas e fazer... NADA. Sem planos, apenas se encontrar no local preferido e jogar conversa fora. Nos vimos, demos oi, veio a pergunta básica “tudo bem” e a resposta básica de início de conversa “sim e vc?” , “eu também”. Mas foi a partir dali que realmente nos encontramos, eu quero dizer, era a “zona de transição” entre o estar sozinho e estar junto e é aí que começa a conversa de verdade. Ou em alguns casos é ali que acaba, mas não para nós, muito menos naquele dia. Estávamos os dois afoitos para contar como estavam as coisas e fomos falando e falndo, até a boca secar.

Como de costume, tiramos fotos para guardar para sempre aquele momento. Mas estava faltando alguém, uma pessoa que sempre fazia parte desses momentos e que completava a conversa. Mesmo não estando presente, essa pessoa foi lembrada com saudade , sorrisos, lembranças maravilhosas e planos de quando nos veríamos novamente. Tiramos as fotos do tipo retrato, de praxe, mas aquele dia merecia uma foto especial, que dissesse tudo que esse dia representava. E com certeza não seria uma foto “tipo retrato”.

Como bons câmera e fotógrafo, exploramos vários ângulos, mas só quando deixamos aflorar todo o reboliço de sentimentos daquele dia foi que saiu a foto boa, a foto perfeita, que ilustrava exatamente como foi aquele momento.

A foto era quase espontânea, não fosse a consciência de sabermos o que estávamos sentindo. A insatisfação, a dúvida, a confusão, o vontade de mudar, a vontade de fazer dar tudo certo e mais que tudo, a vontade de colocar tudo isso para fora.

Muitos meses, depois quando visitei esse amigo, veio a surpresa, encontrei essa foto num porta-retrato em sua casa. Convenhamos que isso hoje em dia é um privilégio só para algumas, muito poucas, fotografias digitais. Como se não bastasse, algum tempo depois, no seu vídeo de formatura (sim, à essa altura ele já tinha se formado, não que eu tivesse alguma dúvida de que isso fosse acontecer), para minha surpresa lá estava ela novamente. Eu disse: “Justo essa?”, e ele me respondeu “é a mais engraçada”. Mas no fundo, eu sei que ele sabe tanto quanto eu, tudo que ela representa.


Um comentário:

  1. Essa foto marca o passado e o futuro da nossa amizade. Obrigado por tudo!

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